Thursday May 16, 2013 09:28

brasileiridade.

Pense comigo, caro leitor, quantos CDs de música nacional você comprou atualmente?

Quem são os artistas tupiniquins que te fazem pagar um valor desonesto para ir a um show? E quantos desses estiveram no Loolapalooza, ou nas últimas edições do Rock in Rio, dos quais  você teve crises histéricas desejando assistir?

Pense também nos livros que anda lendo. Quantos autores brasileiros contemporâneos você conhece? Além de ler “Crônicas de Gelo e Fogo”, “50 Tons de Cinza”, “Os Diários de Carrie” ou “100 anos de Solidão”, quantas vezes você esbarrou, assim, numa Adriana Falcão? Num Luis Fernando Veríssimo?

Pense em tudo aquilo que você consome que foi feito para a TV. Quem escreve as séries que você ama? Não sabemos o nome nem dos roteiristas dos filmes internacionais mais renomados, que dirá dos nacionais. Não nos interessamos em saber de onde vem a criação das coisas, se tem origem sueca, indiana, ou se vem ali óh, da Zona Sul de São Paulo.

Quantos artistas gráficos, arquitetos, escultores, circenses, quantos profissionais de entretenimento você admira? Quais desses tem real identidade com o seu país? Aposto que quase nenhum.

Você aí, que acha o capitalismo uma merda, que acha os políticos ladrões e o transporte público uma vergonha, sabe o real valor que isso têm? Sabe que as militâncias não adiantam em nada se não falarem a linguagem das pessoas? Se representarem apenas uma classe e não uma nação?

Insistimos o tempo todo pela valorização da cultura, por salários melhores para os criativos. Reclamamos que o nosso povo não lê, não se interessa por cultura e que só consome funk e sertanejo sem qualidade, mas não é verdade. Consumimos cultura o tempo todo, popular, erudita, só não fazemos a menor ideia de onde ela vem, ou do porque só coisas bem ruins vingam. Ou da importância que essas coisas têm. E mais que isso: não vemos a propagação das ideias nacionais com 1/8 da ênfase que sabemos sobre jogos de computador, por exemplo. Sobre os lançamentos dos filmes da saga Senhor dos Anéis. Não há buzz nenhum no lançamento de “Tainá”, mas a gente quase tem convulsões para estar na primeira fila de “O Homem de Ferro”.

Pensei nisso, porque ontem, lendo uma matéria sobre blogs, percebi que tenho os dois talentos mais desvalorizados que alguém pode ter: o de desenhar e o de escrever. Todo mundo gosta quando lê algo bacana, ou acha agradável uma arte bem feita, mas ninguém da valor. Ninguém acha que por trás de um artista de rua, de palco, de boteco, de agência, há um real trabalho intelectual sendo feito, um referencial difícil de se construir, resgatar, elaborar e estruturar.

Um humorista não é só um cara engraçado ou irônico. Um escritor não é só um sujeito que sabe bem as regras de português.

Nos tornamos máquinas de produzir coisas complexas, o tempo inteiro com a cabeça a mil, e na pequena parte do nosso dia livre consumimos realidades completamente fora da nossa. Hollywood, Bollywood, que seja. Não é errado gostar de outras culturas, é errado não perceber quanta coisa rica existe por aqui e sempre se render  aos best sellers gringos, traduzidos, enlatados e a tudo mais que as grandes editoras nos colocam como sucesso. Depois você vem reclamar que “nosso povo” é inculto. É burro.

Nós somos o povo. E nós ouvimos mais Britney Spears na Joven Pan que Titãs.

Não sei quanto à vocês, mas enquanto Hogwarts existe claramente em várias partes de Londres, aqui, na terra do Carnaval, ela só pode ser construída na minha imaginação. E apesar de incrível, de trazer um enredo altamente envolvente, não tem nada a ver comigo. Se quisermos mesmo fazer aquilo que amamos, se quisermos mesmo ser valorizados por nossos pequenos dons, precisamos também valorizar as produções de quem está conosco nesse barco. De quem insiste em viver de arte no Brasil.

E incentivar nossos filhos a ler Ana Maria Machado, Pedro Bandeira, Maurício de Souza… E a apreciar o verão, os sabores, as estampas, as cores e tudo aquilo que só tem por aqui.

O Brasil é uma merda sim. Mas em grande parte, é porque a gente vive nele.

E acha que não tem a menor responsabilidade sobre isso.

Wednesday May 15, 2013 14:12

por onde recomeçar?

Pedi a uma amiga que me ajudasse a pensar em um tema para escrever aqui. E falando sobre as coisas que a vida anda mostrando com suas reviravoltas, ela sugeriu que uma boa pauta seria o recomeço.

Como recolher tudo aquilo que restou de nós ao final de um relacionamento e voltar a achar o que nos cerca mais maravilhoso que confuso? Como, lá pelos 30 e tantos anos, não achar esquisito voltar à vida de solteira e não ter preguiça de reviver aquelas coisas que, há muito, já haviam sido esquecidas? Onde encontrar alguém realmente interessante e, acima de tudo isso, como ter confiança novamente de que estar envolvido com alguém pode ser mais delicioso que cruel?

As perguntas eram muitas. E as respostas, mais ainda.

Acho que não existem fórmulas para se dar bem na vida; nem no amor, nem no trabalho, nem nos negócios. Mas existem estratégias que nos fazem refletir sobre a nossa conduta em relação aquilo que somos hoje, sobre aquilo que éramos, o que tínhamos e o que gostaríamos de ter. E parece um dos maiores clichês do mundo, mas compreender onde estamos e  onde queremos estar é o que nos faz andar pelo caminho certo. E deixar tudo muito mais simples.

Outra coisa que dizem por aí é que só superamos um amor com outro. Não acho que emendar relacionamentos sem sentido seja a melhor estratégia, mas acho que manter-se disponível torna as coisas mais leves. Saiba que agora você está livre para olhar uma pessoa bonita no metrô (aliás, quando foi que não esteve?) e que não existe problema nenhum em ser mais simpática com aquele colega de trabalho que sempre foi muito solícito (e super gracinha). É preciso, também, reviver antigas amizades e fazer novos círculos de relacionamento. Seja na academia, no curso de inglês ou em um aniversário no bar. O importante é não ficar em casa, isolada do mundo, sofrendo com as memórias daquilo que foi planejado – e nunca mais vai se concretizar. Não com aquela pessoa.

Aliás, acho que o principal ingrediente para tornar nosso recomeço mais simples é parar de ter pena da nossa existência. Parar de achar que seremos para sempre infelizes e incapazes de nos envolver. Se não dá pra suportar o modo como sua vida encontra-se hoje, viva outra vida, então. Uma alternativa. No qual você é linda, incrível e não precisa se preocupar com quem vai casar depois de amanhã.  Você nem ao menos consegue pagar aquela parcela da máquina de lavar, pare com isso, menina! Permita-se um pouco de esquizofrenia. Reinvente-se

Lembre-se sempre do seguinte:

1 – Seu problema não é o maior do mundo. Para todas as coisas que acabam na nossa vida, outras começam. E há situações muito mais irremediáveis que um fim de um namoro, noivado, casamento…Shame on you.

2 – Não fique remoendo memórias, guardando fotos, fuçando a vida do outro. É como jogar álcool nas feridas abertas, um sofrimento completamente opcional. E irracional.

3 – Não desconte na comida, na bebida, no álcool, nas baladas em excesso, no trabalho… Equilibre-se. Aproveite para concluir projetos individuais dos quais nunca teve tempo e, se estes nunca existiram, invente novos objetivos de vida. Pra já.

4 – Desabafe. Chore. Xingue. Reclame dele pra sua mãe, irmã e amigas (ou amigos). Mas nunca, em hipótese alguma, faça barraco. Não peça para voltar, não queira estar com quem optou por se afastar. A maior insanidade é cobrarmos dos outros coisas que não tem valor. E que, há muito, já não fazem mais sentido.

5 – Seja uma pessoa linda. Por dentro e por fora. Se os quilos a mais ou a menos te incomodam, insista numa dieta. Se esse corte de cabelo te desagrada, mude. Aprenda a não depender de ninguém para sentir-se maravilhosa. Busque uma razão maior para existir que outra pessoa, que um emprego, abrace uma causa. As pessoas mais incríveis que eu conheço não são as mais gostosas/malhadas ou super cheias de plástica. Aliás, muito pelo contrário.

No mais, acho que um dia após o outro nos obriga a superar.

Toda e qualquer coisa.

Saturday May 11, 2013 11:01

a pessoa errada.

Não adianta mentir: sei que você, um dia na vida, já gostou de uma pessoa bem errada. Que fumava quando você tinha crise de alergia e bebia até não se lembrar mais de quem era. Já gostou de um bad boy ou de uma bad girl que se envolvia com tudo que era ilegal, imoral, controverso e adorava. Achava que aquilo uma hora ia se converter em algo bom, que você era a chave pra melhora daquele ser humano transviado.

Tenho certeza que acreditou que um relacionamento pudesse funcionar com uma pessoa que não respeitava os próprios pais, e que nunca conseguia achar um bom emprego. Ou que aquele cara lindo, que conheceu no verão e que não gostava muito de estudar poderia ser, com certeza, o pai dos seus filhos. Todo mundo se interessa por aquilo que desconhece, por aquela parte de um mundo que nunca vai fazer parte. Já andou com a turma do mangá adorando pagode, já foi em balada de metal sendo fã mesmo de sertanejo. Costumamos nos interessar por aquilo que podemos mudar, por aquelas pessoas que achamos ser capazes de consertar. Pelo cara casado com filho, que se diz carente e mal amado, por aquele homem que tem problemas com fidelidade ou por aquela mulher que não consegue, de jeito nenhum, se portar em locais chiques.

Reclamamos quando temos problemas, mas são eles que nos impulsionam a viver. São eles que nos ocupam da nossa realidade não tão satisfatória assim e nos dão sentido para prosseguir. Precisamos que alguma coisa ruim aconteça para nos mexer, se não, a gente mesmo procura sarna pra se coçar, não tem jeito. É um processo natural que uma hora ou outra todo mundo encara, como uma fase de vídeo game na qual precisamos tirar alguma lição.

Conquiste alguém que você acredite ser “muita areia para o seu caminhãozinho”. Busque nos outros o melhor que você possa ser. É sério, você merece. Só conseguimos evoluir quando acompanhados de quem nos faça superiores, daqueles que acreditamos ser pessoas de bom caráter, índole e futuro.

Ninguém muda do dia pra noite, nem quem está buscando intensamente por isso.

Porque então, dificultar?

Chega de escolher quem não acrescenta.


A foto é daqui óh: http://weheartit.com/entry/61065169/via/isla_perry

Olá fofíssimo e dedicado leitor, tudo bem?

Nessa semana, com muito orgulho e emoção, o Hipervitaminose traz sua mais nova seção batizada de: “o que fazer quando?” Esse é mais um espaço participativo  que tentará esclarecer algumas dúvidas recorrentes que recebo por e-mail e que merecem ser colocadas por aqui, já que todos nós temos alguns momentos que precisamos de uma… “Forcinha”!

Conto com vocês para trazer temas bacanas (e até mesmo inusitados, por que não?) para discutirmos por aqui!

Nessa deliciosa manhã de sexta-feira vamos falar sobre O TAL DO PRIMEIRO EMPREGO e dar algumas dicas para você que está na faculdade, no colegial, ou que se formou, fez Pós-Graduação, mas ainda não conseguiu encontrar um trabalho para chamar de seu.

Em primeiro lugar, SAIBA O QUE ESTÁ BUSCANDO. Sei que essa frase parece bastante óbvia  para quem já tem uma certa exepriência, mas quem está começando agora no mercado de trabalho não tem muito conhecimento sobre as áreas de atuação disponíveis para o seu interesse. Não adianta colocar no currículo que é excelente escritor, mas que “está aberto a outras oportunidades dentro da empresa”, isso passa aos recrutadores uma imagem de indecisão.

Para que alguém confie no seu potencial é necessário VENDER BEM o seu próprio peixe e se dedicar a algo que realmente faça sentido para a sua vida. Não se acha tão bom assim? Comece como estagiário! Ninguém nasce sabendo e não há problema nenhum em perguntar. Só não vale tentar nenhuma área por medo de cometer erros, ok? O negócio é se jogar!

Não tenha pressa, mas não seja acomodado. Entre em blogs, fóruns, sites dos locais nos quais você deseja trabalhar e esteja sempre atento aos prazos de seleção.  No meio e no final do ano são os períodos nos quais os empregadores mais buscam estagiários, trainees ou até mesmo profissionais temporários. Se você ainda está no colégio e quer ganhar uma graninha para se sentir no mundo adulto, é uma excelente oportunidade.

Redija um currículo objetivo e não minta. Se não tem experiência assuma. Não coloque características como “carismático” ou “perfeccionista” neste tipo de material. Os empregadores querem saber se você tem as qualificações profissionais necessárias para o cargo, ou seja, COMPETÊNCIA para tal. Isso tem a ver com seu nível de inglês, com um curso técnico, graduação e atividades extra-curriculares como curso de desenho ou de algum software específico para sua área.

“Mas Ericka, prefiro escrever tudo sobre mim em um papel. Sou muito tímido e travo na hora da entrevista”. Ser tímido não é defeito. Defeito é não saber lidar com as situações sociais que exigem que nos apresentemos de forma educada e clara para uma determinada pessoa. Uma entrevista nada mais é que uma conversa entre alguém que QUER CONTRATAR e alguém que QUER SER CONTRATADO. Responda as perguntas tranquilamente e demostre interesse sobre o assunto. Se não der certo em um primeiro contato outras oportunidades surgirão naturalmente e você vai ficando cada vez mais à vontade para expor aquilo que tem de melhor.

“Ok, fiz tudo isso e já estou cansado de ninguém me chamar para nenhuma vaga. E agora?”

Não fique parado. Leia, pesquise, desenvolva-se, estude, informe-se e, acima de tudo, não desista. Imagine quantas pessoas estão terminando algum tipo de curso e quantas delas também não buscam o mesmo que você. Fez as contas? São muitos profissionais que existem no mercado, mas também são muitas as vagas. Vale refazer o currículo, se matricular em algum curso gratuito e até mesmo verificar a possibilidade de serviços pagos para colocação profissional, como a Catho, por exemplo. Não, este não é um post pago, mas eu mesma já utilizei o serviço deles e tive retorno lááááá no comecinho da minha vida profissional.

Vale a tentativa!

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Tem alguma sugestão para o próximo tema? Me manda uma mensagem lá na página do Hiper no FACEBOOK! Vou adorar!

 

Créditos da imagem: http://guitarherologia.blogspot.com.br/2012/12/a-problematica-do-primeiro-emprego.html

 

 

 

Tuesday April 30, 2013 09:57

recadinho sincero.

No final, você admitiu que ela era mesmo louca, problemática. Que mandava em você e te cansava. Que não entendia sua carreira, seu modo de viver e te cobrava por coisas das quais desconhecia. Você percebeu que ela era mesmo chata, cansativa. E assumiu sua parcela de culpa. Mesmo sabendo dos por quês da coisa ter dado errado, mesmo tendo sido avisado, alertado e tomado bronca de todas as pessoas que te amavam você insistiu; e se afogou nas próprias expectativas, na possibilidade de que ela fosse diferente pelo menos com você.

As pessoas não mudam, já te disse mais de uma vez. Elas se moldam às situações que lhe convém. E se não dá certo vão embora e ponto final. Afinal, não é nada difícil partir de onde você  nunca fez parte, daquilo que nunca se teve, sequer, o interesse em participar.

Nem sofrendo você está, tenho certeza. No máximo, se sentindo sozinho. Espero que mais que o seu tempo, seu dinheiro e suas horas de sono ela tenha levado essa ideia besta de querer transformar o outro por amor. Isso não se impõe a ninguém.

E mais ainda: não se cobra.

Espero também que ela vá embora sem deixar vestígios, sem ficar tentando manipular suas emoções ou fazer você ver coisas que nem sequer existem. Que alguma coisa tenha sido aprendida com sua teimosia dessa vez, e que você encontre, muito em breve, alguém que realmente queira fazer parte daquilo que você é, e não daquilo que você inventou.

Estaremos aqui, torcendo e observando. Sempre.

E pode descansar em paz. Uma hora, tudo que nos é guardado, vem.

Thursday April 25, 2013 16:56

por uma bunda mole.

Entro em tantos blogs de beleza, moda e beauté, que encanei que estava com a bunda molenga. Não muito molenga, mas um pouquinho sabe? Com uma celulitezinha na parte de baixo? Que você vê quando apoia o peso em uma perna só? Então.

Eu, que nem bunda tenho direito, me vi velha, me vi flácida, um pecado, um problema, uma coisa assim, inimaginável. Parei de comer doce e tomar refrigerante. Fui ver o preço de uma academia perto de casa, super empenhada em perder algumas horas de sono pela manhã e quase caí pra trás: não sabia que pra ter uma bunda dura era preciso investir mais de 1/4 do meu super suado salário de jornalista.

Pensei em começar a andar todos os dias no parque, mas de manhã, com esse frio paulistano, sozinha, dava uma pãtcha preguiça. Como minha motivação para a atividade física não era assim, tão proporcional a de endurecer os glúteos, logo, desisti.

Falavam tanto sobre reeducação alimentar e mudança de hábitos, que deixei de lado os hamburgueres, a cervejinha do final de semana e os amendoins. Como meu colesterol já é mesmo um côco, os primeiros 15 dias não foram tão sofridos. Só jantava salada. Parei de tomar o leite integral tipo A, que eu tanto amava, e substitui todos os pães por aqueles de grãos, integrais. O Toddy, o requeijão, o suco de uva, a farinha de trigo, o creme de leite, o salame e até o sabão em pó que eu comprava, passaram a ser light. Com ômega 3. E se estivesse escrito na embalagem que era 0% de gordura trans, então, já investia logo em 3 pacotes. Do absorvente à pasta dental.

Nunca precisei emagrecer, muito pelo contrário. Acho que precisava era engordar. Mas estava tão frustrada por não fazer nada em relação a mim mesma que entrei em fóruns e páginas sobre o tema, cismei que precisava começar, nem que fosse em casa, pelo menos uma ginástica localizada. Fazia agachamentos na frente do espelho e assistia, minuto a minuto, o “engeleamento das pernas” acontecer. Trashíssimo.

Passei para a fase de apelar para a estética. Comprei um creme de celulite que esquentava, outro que esfriava, outro que drenava, outro que endurecia e um outro pra estrias (vai que elas surgissem de um dia para o outro?) Foi fácil comer menos nesse mês, aliás, já que gastei tanto com cremes que fui obrigada a viver de atum enlatado fo-re-ver. E não morri. Assim como se tivesse comido pão com ovo todos os dias. Era por um bem maior.

Sabe, toda a minha motivação para ter a bunda dos sonhos fazia parte da porra do sistema, na verdade. Não vinha de mim. Eu nunca me alimentei mal, nunca tive uma vida sedentaríssima, nunca fui de tomar 30 litros de refrigerante, e olha, sinceramente, não ligo pra doce.  Somos tão intensamente bombardeados com a ideia de que emagrecer é importante, de que ter um corpo bacana é importante, que não dá pra fugir. Do dia pra noite, todo mundo no mundo resolveu ter uma vida saudável. Resolveu andar de bike, parar de fumar, comprar aquela calça listrada horrorosa e fingir que alface pode ser muito, muito gostosa – basta apenas mudarmos de hábitos. Isso não é de todo ruim, ou de todo falso. Alface pode mesmo ser uma delícia, com bacon e molho. Com pedaços de filet mignon. Ou como parte de um PF daqueles, com um bife à parmegianna caprichado no queijo e no molho ao sugo. E sim, alguns hábitos podem ser responsáveis por uma morte prematura e devemos, de fato, cuidar mais do nosso corpo.

A questão é que não é todo mundo que precisa emagrecer; as pessoas precisam é ser mais felizes.

E parar de fingir que a saúde é o principal motivo que move os seres humanos a perder peso, porque não é. O que nos motiva a mudar, sempre e em qualquer ocasião, é a vontade de sermos admirados, queridos, inseridos. A vontade de caber numa saia 36 quando quase 80% da população brasileira (que é linda, por sinal!) veste 42.

Reveja o que você faz. Reflita se as atitudes que guiam sobre sua vida vem mesmo de você, se fazem sentido no seu contexto, se serão elas as responsáveis em te fazer atingir aquela satisfação pessoal que você ainda não encontrou.

E como bacon. Pelo menos no Natal.

É ótimo.

Monday April 22, 2013 14:09

homem capacho.

Não suporto quando vejo uma mulher se aproveitar de um homem apaixonado. Acho injusto com as demais da espécie, acho um desperdício, uma ofensa, acho feio pra caramba. Sério. Vivemos reclamando que não existem mais homens decentes no mundo, que os pretendentes que surgem são rudes, desatentos, porcos, fanáticos por futebol (ou carros, ou luta…) e quando esbarramos em um cara bacana, que abre a porta do carro e paga a conta do jantar… Somos verdadeiras filhas da puta.

Um homem apaixonado faz coisas inimagináveis. Leva sua vó no médico, limpa seu armário. Te leva pra Mongólia se você quiser, vem a pé te buscar saindo da China, ou seja: vira um bocó. Tudo na vida tem uma medida e assim também é para o amor, para as horas de trabalho, para os relacionamentos. Todas essas demonstrações de afeto podem ser lindas, maravilhosas, fofas… Quando temos 15 anos de idade. Mas chega uma hora que temos que tirar o bolo do forno, minha gente, se não ele queima. Chega uma hora que cansa. E aí, pra não deixar um tipão raro desses escapar, pra não tomar uma bronca das amigas, da mãe ou de qualquer pessoa que acha que tudo isso, é ma-ra-vi-lho-so (porque não está diretamente inserida nesse relacionamento diabético), insistimos em ficar com o cara mesmo sem tesão. Deixamos o sujeito pagar até a parcela do nosso carro, da Marisa, fazemos do príncipe encantado um verdadeiro idiota.

Li uma vez que é dos homens a culpa das mulheres virarem vadias, no sentido mais pejorativo da palavra. Gostaria de culpar nós, mulheres, pela existência dos homens filhos da puta. Por que, na boa, tem coisa mais injusta do que fazer do sujeito gato e sapato? Eu, se fosse o cara, sairia pegando geral depois de descobrir as falcatruas de uma mulher amada em excesso, ultra mimada, e óbvio, entediada.

Às mulheres fica meu apelo: não estimulem que seus homens sejam escravos. Não tenha um sujeito para o emocional e outro para o carnal. Assim como grosseria em excesso, essa fofura toda enche a paciência, fica mala, é preciso saber dosar e não abusar, ok?

Sejamos honestas se quisermos o mesmo.

E aos homens, uma dica: saibam reconhecer quem merece. E não sejam guiados por um rostinho bonito. Vocês são bem menos inteligentes que imaginam e muito mais manipuláveis que pensam. Melhor equilibrar. Pra depois não culpar o destino pelo seu dedo podre.

Wednesday April 17, 2013 10:49

gordinhas e gostosas.

Dia desses, via Whatsapp, um amigo postou uma foto de uma moça de biquine que eu achei bem gostosa, de verdade. Não porque ela tivesse corpo de celebridade de novela, ou porque eu tenho uma inclinação a gostar de pessoas do mesmo sexo, nada disso. Porque costumo ser o mais honesta possível com os julgamentos em relação ao físico, mesmo que isso seja um pouco…Eerr… Incômodo às vezes. A mulherada, reativa, disparou sem filtros uma série de comentários negativos: “Que gorda! Toda mole! Como ela tem coragem de tirar essa foto de biquine? Ela não faz meu tipo físico, prefiro as malhadas…”

Foi então que percebi que nossa percepção sobre o que é bonito, feio, gordo ou magro é relativa. Principalmente a QUEM nós estamos analisando. Se aquela sua amiga linda, meio gordinha, que vive lutando contra a balança, quiser comprar um biquine lindíssimo para usar na praia e perguntar sua opinião, você não vai ser tão critica. Certamente dirá que ela está linda, mesmo com o sobrepeso, porque afinal, está mesmo. Que a estampa é divina e, no máximo, comentar que modelo x, ou y “valoriza mais as curvas”. Você não vai dizer que ela está toda mole, que usar biquine com esse corpo a  fará parecer ridícula e que, se fosse ela, sairia de casa de burca, até porque, você também não está tão em forma assim.

E ainda que esteja, se quiser ser realmente sincera, você o fará com jeitinho. Porque o nosso corpo é algo que nos incomoda tanto que somos capazes de fazer (e fazemos!) loucuras para ficar em paz com espelho.

Sabrina Satto e Ana Hickman, na minha opinião, são mulheres lindíssimas. Embora Sabrina, ao lado de Ana, seja mais “GORDA”, é um absurdo dizer que uma mulher como aquela está fora de forma. Assim como é um absurdo a mulher brasileira querer ter corpo de dançarina de ballet clássica, com 0% de gordura e altura de alemã. Temos coxas, peitos fartos, costas largas e um quadril de dar inveja a qualquer japonesa, indiana ou européia, é um trunfo nosso e só nosso. Foi na terra canarinha que surgiram as calças jeans que valorizam o bumbum, é aqui que gostamos de mulher farta, e que, se tiver uma perna do tamanho do mundo, certamente também terá uma barriguinha proeminente. Alias, sejamos sinceros? É muito mais bonita que aqueles quadradinhos de grelha de churrascaria.

A inimiga é sempre torta. Aquela sua tia chata, uma cafona. A super gostosa, uma piriguete. E por aí vai.

Os esteriótipos tornam nosso mundo confortável, vivível. Porque, afinal de contas, se todo mundo tivesse corpo de passista de escola de samba, nosso padrões estéticos seriam outro, não é?

Aliás, que bom seria começar a valorizar as gordinhas felizes. Nós também nos sentiríamos mais leves…

Monday April 15, 2013 10:11

maluco beleza.

Para ler ouvindo: Maluco Beleza – Raul Seixas

Ser adulto, entre vitórias e coisas verdadeiramente boas, é também meio frustrante. Ao invés de conquistar o mundo e atingir todos aqueles objetivos que você tanto sonhou, da riqueza ao reconhecimento, somos obrigados a encarar a parte desconhecida da coisa toda: a falta de tempo. E de pessoas realmente confiáveis para contar.

Ser adulto é ver gente querida partir, o tempo todo – dessa para uma melhor, dessa para uma pior. É perceber que nem todos aqueles que você chama de amigo, de fato, o são. É saber que algumas boas e longas memórias, que tanto significaram para você, foram apenas momentos passageiros para os outros. E só. Que você não irá à metade dos casamentos, chás de bebê e eventos que te foram prometidos na juventude, e que as circunstâncias, muitas vezes, não te farão, SEQUER, se importar com isso. Saberá também reconhecer aqueles que realmente importam, que, via de regra, estarão ao seu lado se você mudar de país, de religião, de trabalho ou de sexo. Nada disso vai mudar aquilo que você representa,  muito pelo contrário. Os amigos de verdade querem estar presentes mesmo sabendo que você está fazendo uma cagada faraônica, algo incompreensível para todo o resto da sociedade. Amigo mesmo quer ter a oportunidade de estar ao seu lado quando você perceber que tudo o que parecia bom, não era tanto assim. Amigo mesmo, vai registrar seus erros pra rir da sua cara depois, quando tudo passar. Quando as coisas sérias se tornarem banais.

Ser adulto é ter uma real responsabilidade sobre a própria vida e uma total ausência de controle sobre o destino. É tapar o sol com a peneira, adiar o regime mais uma semana, deixar de comprar cabide pra comprar um anão de jardim. É ter dinheiro um dia só no mês e comer miojo durante o resto dos dias porque fez uma viagem e gastou demais, porque foi à uma festa e gastou demais, porque teve que pagar o aluguel, a água e, meu Deus, você precisa ganhar mais. Sempre mais.

Ser adulto é, principalmente, acreditar que tudo, tudo mesmo, pode mudar.

Ou ninguém chegaria vivo aos 35.

Faz todo o sentido do mundo querer ser criança pra sempre.

Tuesday April 2, 2013 09:59

balzaquianas.

Quando você, mulher, faz uns 30 e poucos anos de idade a pressão se inicia: onde está o namorado que não vem te buscar? Quando você vai ficar noiva? E depois de casar, quando vem os filhos? Porque você está assim gorda se está amamentando? Não dê açúcar pra esse menino, pare de trabalhar para cuidar da família. Não fale palavrão, faça faculdade. Tenha modos, por que você não arranja um trabalho de verdade? E coisa e tal.

A vida de cada mulher, assim como a de todos os seres humanos, não é redondinha. Nem todas sonham em sem ser mães, nem todas acreditam em casamento. Há quem não se importe com as convenções sociais e queira apenas juntar com o namorado, cheio de tatuagens, e comprar 3 gatos. Ninguém precisa ter cachorro porque é bacana, casar de papel passado porque é bonito ou ficar com postura de mulherzinha frágil em pleno o século XXI. Aliás, acho isso completamente fora de moda.

A felicidade da sua tia, prima ou da sua melhor amiga, não é a sua. Que saco seria se todo mundo pensasse igual, quisesse exatamente a mesma coisa e fosse obrigado a ser aquilo que não tem vontade só pra burguês ver. Essa coisa de ficar tentando agradar os outros sempre acaba nos desagradando. Mais triste ainda é quem acha que tem a real obrigação de seguir tradições. E se não der pra ter filhos? E se nunca tiver dinheiro pra aquela festança monumental? Você vai continuar presa aos resultados de uma vida que não se apresentou da forma como cabia nos seus sonhos? Vai continuar tendo pena de si e raiva do mundo?

Não existe um único caminho para a felicidade.

E eu espero que você encontre muito mais do que planeja mudando sempre de ideia.

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Por que Hipervitaminose?

Cansado do papo furado e irreal sobre relacionamentos? De ficar sonhando com o príncipe (ou a princesa) encantado, lamentando sua solteirice pelos quatro cantos do planeta? Cansado de não entender o que faz de errado? Cansado de achar que é o ÚNICO no mundo a ter todos esses problemas? Bem vindo ao Hipervitaminose! Um espaço com crônicas sobre a vida, depoimentos, histórias e análises sinceras - minhas e alheias - de quem já está cansado (e diabético) de tanto blá-blá-blá relacionamental sem eficiência. Fique à vontade!

Participe!!

Pode indicar, viu?